Organograma empresarial: como montar um que o time realmente segue
Organograma empresarial é o desenho de quem responde a quem e do que cada cadeira entrega; só funciona quando está escrito, comunicado e seguido, inclusive pelo dono.
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O essencial
- O que é: desenho de quem responde a quem e do que cada cargo entrega. Caixinha sem responsabilidade escrita é só quadro bonito.
- Falha 1: ninguém com a última palavra. Mesmo entre dois sócios 50/50, alguém precisa ser o CEO, e isso não se define pela quantidade de cotas.
- Falha 2: sócio ou gestor que interfere na área do outro. É o primeiro ponto de conflito e a causa de muita sociedade que acaba.
- Falha 3: responsabilidades subjetivas. A diretoria espera algo do gestor, o gestor espera algo do analista, e nada disso está escrito.
- Falha 4: organograma nunca comunicado a quem entra. O que é claro para o dono raramente é claro para o time.
- Falha 5: gestor promovido por tempo de casa, sem preparo. Aí nasce o funcionário estrela, e o talento bom vai embora.
- O teste: pergunte a um colaborador para quem ele responde e o que precisa entregar. Se ele hesitar, o organograma não está funcionando.
Quer montar o organograma da sua empresa com responsabilidades por cadeira?
Na sua empresa, cada pessoa sabe exatamente para quem responde e o que precisa entregar?
Quando faço treinamento, escuto sempre a mesma frase de colaborador: "Aline, às vezes eu fico perdido, porque cada hora é uma pessoa que me pede algo". Se isso acontece aí, o seu organograma pode existir e não estar funcionando. Neste artigo eu mostro os pontos onde ele costuma falhar, com exemplos de empresa real, e o que fazer em cada um. Falo de dono e sócio, e os exemplos vêm muito de escritório de contabilidade, mas a lógica vale para qualquer empresa. Se você quer ajuda para montar o seu, a ExtMind faz isso dentro do mapeamento de processos e da mentoria empresarial.
Neste artigo
O que é organograma empresarial?
Organograma empresarial é o desenho da estrutura da empresa: quem responde a quem e qual é o papel de cada cargo. Ele tem duas camadas. A primeira são as caixinhas, os cargos e as ligações entre eles. A segunda, que quase ninguém faz, é o que vem embaixo de cada caixinha: as responsabilidades da cadeira.
Muita gente pensa que organograma é só o desenho, aqueles quadradinhos bonitinhos, muitas vezes pregados no quadro de avisos da cozinha e até desatualizados. Sem a segunda camada, ele desenha a hierarquia e não resolve a confusão. Um organograma simples que funciona vale mais que um complexo que ninguém lê: ele precisa ser o simples que funciona, desde que tenha estrutura clara e nível de profundidade.
Para o dono de empresa pequena, o ponto de partida é este: escreva os cargos que já existem, marque a quem cada um responde e, ao lado, o que se espera dele. O restante do artigo mostra onde isso costuma quebrar.
Por que o organograma na parede não funciona?
Porque a diretoria acredita que o colaborador já sabe a quem deve responder, e muitas vezes ele não sabe. Organograma não é quadro bonito na parede, é comunicação.
Se cada hora é um chefe diferente falando com o mesmo subordinado, você deixa o colaborador confuso e a sua liderança desgovernada. Empresa com um único dono também sofre: quem manda em tudo acaba sendo o chefe de todo mundo ao mesmo tempo. Tenha sócio ou não, o resultado é o mesmo, gente perdida e liderança sem espaço.
A pergunta que separa organograma vivo de organograma decorativo é esta: como você comunicou esse organograma dentro da empresa? Se a resposta é "está no quadro", pode ser que as pessoas nunca tenham sido avisadas oficialmente. O óbvio precisa ser dito.
Precisa ter um CEO se somos dois sócios 50/50?
Precisa. Tem que existir a figura do CEO, ou seja, quem tem a última palavra, mesmo entre dois sócios com 50% cada.
A razão é simples: na hora de um empate, ou de qualquer decisão emperrada entre os dois, alguém precisa decidir. Sem isso, o topo da empresa fica dividido, e a divisão desce pela estrutura inteira. É uma das primeiras falhas que vejo em escritório de contabilidade, mas aparece em qualquer sociedade.
Exceção importante: o CEO não é definido pela quantidade de cotas. Cota diz quanto cada sócio tem, e não diz quem decide melhor o quê. Escolham entre vocês, por perfil e por área, e deixem escrito.
Se na sua empresa isso ainda não está definido, é um ponto para anotar hoje. Conversa entre sócios, uma vez, com data.
O que acontece quando um sócio interfere na área do outro?
Começa o conflito. Quer começar briga dentro de uma empresa? É isso.
Imagine o organograma básico: o sócio 1 tem sob ele o gestor do DP (departamento pessoal) e o gestor do fiscal. O sócio 2 tem o gestor do contábil e o gestor do administrativo. Como o contábil se liga muito ao fiscal, o sócio 2 acaba se metendo na caixinha do fiscal, que é do sócio 1. Nos exemplos que desenho, isso vira uma setinha laranja cruzando as áreas.
Agora veja do lado do colaborador. O sócio 2 percebe uma falha no departamento pessoal. Em vez de falar com o sócio 1, ou esperar ele voltar, vai direto ao colaborador. O colaborador pensa: quem é meu chefe? Para quem eu respondo? Pare aí: o caminho certo é o sócio 2 falar com o sócio 1, o sócio 1 falar com o gestor, e o gestor descer a orientação.
Se isso não acontece na sua empresa, parabéns, é uma estrelinha para você. Mas olhe com carinho: é mais comum do que parece, e às vezes o dono nem sabe que está acontecendo.
E se quem interfere é o gestor de outra área?
O mesmo vale. Precisa existir respeito, e isso tem que ser cultural: se eu tenho um problema com alguém, falo com o líder direto daquela pessoa.
Um exemplo: um cliente liga reclamando com o sócio 2 sobre algo que é da área do sócio 1. O sócio 2 fala com o sócio 1, o sócio 1 fala com o gestor, o gestor desce. Ninguém atravessa. Por isso muita sociedade chega ao fim: falta de respeito à caixa do outro.
Vontade de ir lá "resolver" sempre existe. Para isso serve inteligência emocional, e é um dos pontos que se desenvolve com a liderança. Com regra escrita de quem fala com quem, a discussão vira processo, e deixa de ser briga.
Como descrever as responsabilidades de cada cadeira?
Escreva o que se espera de cada cargo, começando pelo topo e descendo. A pergunta é da cadeira, e não da pessoa: o que a diretoria espera de quem senta na cadeira de gestor? O que o gestor espera de quem senta na de analista?
Faça o teste. Chegue à sua empresa hoje e peça à analista do setor fiscal para descrever todas as responsabilidades do cargo dela. Ela sabe o beabá: apuração de imposto, escrituração. Mas o que a diretoria espera daquela função? E qual a diferença entre o que se espera do analista, do assistente e do auxiliar? Se as três descrições forem iguais, tem coisa errada.
Gestor
Quem espera dela Diretoria ou sócio
O que precisa estar escrito Resultado da área, gestão do time, comunicação com a diretoria, requisitos técnicos e comportamentais
Analista
Quem espera dela Gestor
O que precisa estar escrito O que entrega além da rotina básica, prazo, como reporta
Assistente
Quem espera dela Gestor e analista
O que precisa estar escrito O que executa, o que passa adiante, onde pede ajuda
Auxiliar
Quem espera dela Assistente e gestor
O que precisa estar escrito Tarefas de apoio, rotina diária, quem o orienta
Essa tabela é o esqueleto, e não a descrição pronta. O trabalho está em preencher cada célula com a realidade da sua empresa: com exemplo, prazo e critério.
Muitos donos ficam indignados com a postura dos gestores, e a pergunta que faço é: quando foi que você sentou com o seu gestor e trouxe clareza de tudo o que espera dele? Se essa conversa nunca aconteceu, a expectativa é subjetiva. E expectativa subjetiva vira frustração dos dois lados.
Como apresentar o organograma para quem acaba de entrar?
Faça onboarding: sente com o novato e mostre cada ponto do organograma. Diga a quem ele responde, quem são os pares dele e o que se espera da cadeira.
É simples e quase ninguém faz. Às vezes o que é claro para você não é claro para as pessoas. Você acha que é, e muitas vezes não é. Um colaborador que entra e descobre a hierarquia por tentativa e erro leva semanas para saber a quem pedir o quê.
O mesmo vale para quem já está na empresa. Comunique de novo quando o organograma mudar e, de vez em quando, reveja com o time se ele ainda reflete a realidade. Organograma desatualizado é pior que nenhum: passa a impressão de que a empresa não se cuida.
O dono também precisa seguir o organograma e os processos?
Precisa, e essa é a falha mais cara. Numa indústria em que atendi, um dos fundadores foi o primeiro a querer processos e o primeiro a não segui-los. Quando estava tudo bem, seguia. Quando estava com o humor alterado, não seguia. A fala era: "eu sou dono daqui, eu faço o que eu quero, eu mando".
O que o colaborador pensa nessa hora? E o líder? Ele fica no meio do fogo cruzado, sem saber a quem obedece e vendo que a regra vale para uns e não para outro.
Empresa com um dono só tem o mesmo risco. Quem manda em tudo precisa aceitar a estrutura que criou, senão o time aprende que o organograma é enfeite. O caminho é o dono ser o primeiro a passar pela cadeia, inclusive quando é inconveniente.
Como a falta de organograma aparece para o cliente?
Aparece como desorganização, mesmo quando a empresa não é desorganizada. O cliente liga, fala com o assistente, depois com o auxiliar, e não sabe com quem resolver. Fornecedor passa pelo mesmo problema.
Um caso comum é a passagem do comercial para a operação. O comercial fecha um cliente novo e vende uma série de serviços. Chega a hora de entregar, e a operação nem sabe o que foi vendido. Um exemplo: um cliente precisa do balancete no quinto dia útil porque reporta para outro país. Se o gestor do contábil, do fiscal e do DP não sabem disso, ninguém entrega no prazo, e o cliente liga cobrando algo que ninguém sabia.
A saída é ter um processo claro de entrada do cliente, com onboarding do cliente também, para ele saber com quem fala em cada departamento. Definir o organograma não basta. É preciso respeitar e comunicar, para dentro e para fora.
O que acontece quando alguém vira gestor só por tempo de casa?
Quase sempre acontece um gestor despreparado. Em empresa de contabilidade, é comum o gestor ter começado como auxiliar ou estagiário e ter subido pelo tempo de casa. Ninguém definiu o que se esperava dele, e ninguém o preparou.
Aí eu ouço: "meus liderados não sabem fazer gestão". Com muito amor: não dá para cobrar de uma pessoa o que ela não treinou, não ensinou e não preparou. Vale para você cobrando o gestor e para o gestor cobrando o time. A exceção é quando você contratou alguém do mercado que já vem com a base pronta.
O mínimo que um gestor da sua empresa deve ter é desenvolvimento pessoal, inclusive a parte comportamental. É daí que nasce o funcionário estrela: técnico forte, comportamento fraco, sem clareza de responsabilidade. Os talentos que ficam embaixo dele percebem que a chance de ele sair é pequena, não enxergam perspectiva de subir e vão embora.
Quando o gestor "custa caro demais", muitas vezes a conta é essa: ele foi deixado subir sem desenvolvimento. Treinamentos de liderança entram exatamente aqui, e a ExtMind os faz dentro dos treinamentos.
Como testar se o meu organograma está funcionando?
Pergunte a qualquer colaborador três coisas: quais são as suas funções, o que ele realmente precisa entregar e o que o líder espera do trabalho dele. Depois pergunte para quem ele responde diretamente.
Se ele hesitar em alguma, o organograma não está funcionando. Esse é o teste mais simples que existe. Faça com três pessoas de níveis diferentes, em setores diferentes, e compare as respostas com o que você imaginava.
A discordância entre as respostas e o que está no papel é o mapa do que falta arrumar. Anote e comece pela maior.
O que fazer hoje para montar o meu organograma?
Pegue cada caixinha do organograma e descreva o que se espera daquela cadeira. Inclua o requisito mínimo técnico e o requisito mínimo comportamental que a pessoa precisa ter para ocupar aquela cadeira.
Você pode começar agora, sem contratar ninguém, seguindo esta sequência:
- Defina quem tem a última palavra no topo.
- Marque a quem cada cargo responde, uma linha só.
- Escreva as responsabilidades de cada cadeira, de cima para baixo.
- Comunique ao time e faça o onboarding de quem entrar.
- Teste com três colaboradores e ajuste.
Uma empresa organizada tem clareza diária, clareza de liderança, clareza de responsabilidade e, principalmente, clareza para onde quer ir. Muitas empresas não passam isso para a liderança e para os colaboradores: o dia começa e acaba, e ninguém sabe para onde a empresa está indo.
Prefere ajuda para escrever as responsabilidades de cada cadeira?
Nota editorial
Artigo autoral da ExtMind, baseado na experiência da Aline Alcântara com empresas desde 2008 e nos vídeos do canal, reescrito para leitura. Os casos são reais e citados sem nome. Cada empresa tem uma realidade, então adapte os cargos ao seu organograma.
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Perguntas frequentes
Organograma é só desenhar as caixinhas dos cargos?
Não. As caixinhas mostram a hierarquia, mas o que faz o organograma funcionar é a descrição das responsabilidades de cada cadeira e a comunicação disso ao time. Sem isso, vira quadro na parede.
Como saber se meu colaborador sabe a quem responder?
Pergunte a ele: para quem você responde diretamente e o que se espera do seu trabalho? Se ele hesitar, ou se cada hora uma pessoa pedir algo, o organograma não chegou até ele.
Precisa ter um CEO se somos dois sócios 50/50?
Precisa. Em caso de empate, alguém tem que ter a última palavra. O CEO não é definido pela quantidade de cotas, e sim pela escolha entre os sócios.
O que acontece quando um sócio interfere na área do outro?
É o primeiro ponto de conflito da sociedade. O colaborador fica sem saber a quem responder e o sócio dono da área perde autoridade. O caminho certo é falar com o sócio responsável, que fala com o gestor.
Como descrever as responsabilidades de cada cargo (gestor, analista, assistente, auxiliar)?
Comece pela pergunta da cadeira, e não da pessoa: o que a diretoria espera do gestor, o que o gestor espera do analista, e assim por diante. As descrições de cada nível não podem ser iguais, e cada uma inclui o requisito técnico e o comportamental mínimo.
Como apresentar o organograma para quem acaba de entrar na empresa?
Faça onboarding: mostre cada ponto do organograma, diga a quem a pessoa responde e o que a cadeira entrega. Não presuma que o novato já sabe.
Por que o cliente percebe desorganização quando ninguém sabe quem responde?
Porque ele liga, cai em pessoas diferentes e não encontra quem resolva. Fornecedor passa pelo mesmo problema. Às vezes a empresa nem é desorganizada, faltam ajustes, mas o cliente só vê a bagunça.
O dono também precisa seguir os processos que mandou implantar?
Precisa. Quando o dono é o primeiro a não seguir, o time aprende que a regra vale só para quem não manda, e o processo vira letra morta.
Como passar o cliente novo do comercial para a operação sem ruído?
Tenha um processo de entrada: o que foi vendido, com prazos, chega escrito a quem vai entregar. E faça o onboarding com o cliente, para ele saber com quem fala em cada departamento.
O que acontece quando alguém vira gestor só por tempo de casa, sem preparo?
O gestor assume sem clareza do que se espera dele nem preparo comportamental. O time abaixo, que quer crescer, perde perspectiva e vai embora. É o ambiente onde nasce o funcionário estrela.
Quer sair da teoria e escrever o seu organograma?
Qual é a decisão de estrutura que você adia hoje: definir quem tem a última palavra, escrever as responsabilidades de uma cadeira ou comunicar o organograma ao time?
Fontes e referências
- Vídeo "Sua empresa tem organograma ou só um monte de gente dando ordem?", canal @alinealcantaragestao: https://www.youtube.com/watch?v=Brq9Bx47BuM
- Short "Surgiu uma dúvida, uma decisão ou um problema, o time precisa recorrer ao dono, tem algo errado": https://www.youtube.com/watch?v=V2hgTBe_y9Q
- Short "Às vezes, o problema não está na falta de processo": https://www.youtube.com/watch?v=x1v8I1qsX5A
Nenhuma norma legal é citada neste artigo.


